Vim aqui só pra dizer…

 

Tanta vida pra viver
Tanta vida a se acabar
Com tanto pra se fazer
Com tanto pra se salvar
(Réquiem para Matraga – Geraldo Vandré)

A última vez que escrevi aqui foi em março, pouco antes de tudo ir pelos ares. Já passei alguns meses (dessa vez sem exageros) sem conseguir fazer nada, já fiquei doente, já fiquei melhor e voltei a sentir o gosto do café, e desde mês passado consegui finalmente voltar a escrever, que é basicamente o que eu sei fazer (isso quando não penso que não sei o que tô fazendo, mas essa é outra história). Embora passar a maior parte do tempo em frente ao computador não pareça uma atividade muito cheia de emoções, algumas coisas interessantes aconteceram, então vou fazer um compilado.

Começando por quem? Ele mesmo, o seu, o meu, o nosso Guimarães Rosa, sobre quem eu já escrevi tanto nessas últimas semanas que achava que nem ia mais querer ver as fuças. Por essas e outras a primeira dica pra quem vai fazer pós é: escolha um tema de pesquisa com o qual você possa conviver por dois (ou quatro) anos, porque vai ter uma hora que ele vai te saturar e você vai querer passar pelo menos uma semaninha longe dele, mas aí essa semana vai cair bem na Semana Rosiana e você vai ficar com o coração mole e chorar ouvindo Réquiem para Matraga.

Enfim.

01-Divulgacao-geral-feed-e-facebook-1024x1022A Semana Rosiana é um evento que ocorre todo ano em Cordisburgo – MG, cidade natal de Guimarães Rosa. Mesmo antes da pandemia eu já sabia que não conseguiria ir esse ano, porque passagem e estadia estavam caros demais, mas com tudo o que aconteceu obviamente eles não puderam fazer nada presencial. A 32ª Semana Rosiana está acontecendo online, até sábado, em lives no Instagram, rodas de leitura, podcasts e outras atividades.

Tenho participado de muitos eventos assim, à distância, e a quantidade de gente participando sempre é impressionante. Por um lado, existe a dificuldade de acesso, porque nem todo mundo tem acesso à internet nesse momento – outro grande problema pra começarem as aulas na universidade agora se não houver um plano de inclusão digital, e que funcione. Por outro lado, também é possível organizar eventos com pessoas que antes que nem daria pra cogitar por conta do orçamento, ou porque nunca dava certo, e ainda tem o fato de que, com mais gente em casa por mais tempo, o público acaba sendo maior. Se quando tudo isso acabar essa modalidade de evento continuar, acho que pode ajudar bastante a estender um pouco mais as possibilidades de participação a quem antes não podia. Senti muita falta de eventos dos quais eu pudesse participar durante a minha graduação. Como a maioria dos alunos do noturno na época, eu trabalhava de dia e era difícil conseguir participar de algum evento porque quase todos terminavam até 18h e nem tudo era transmitido e salvo pra você ver depois se tivesse algum interesse no tema.

Mudando de assunto, já faz um tempo que ando traduzindo – do inglês – uns textos de 1800 e pouco e algumas semanas atrás peguei mais um livro da mesma época. Ano passado traduzi um livro escrito menos de dez anos atrás e o fato é que: ele foi muito mais difícil do que os senhorzinhos empolados de 1800 e bolinha.

Outra coisa que voltei a fazer, depois de muito tempo sem conseguir devido à loucura da vida acadêmica, foi escrever ficção. Fazia muito tempo mesmo que eu não parava pra escrever algo que não fosse acadêmico, tanto que achei que seria isso que eu teria que me dedicar a fazer. Continua sendo, de certo modo, mas é bom saber que ainda sei escrever ficção, ainda que a passo de formiguinha. Quem sabe um dia, não é mesmo?

Termino com mais uma dica de evento, que já passou, mas que é possível assistir nas lives que ficaram gravadas no Youtube (viu como é útil?): o III Seminário Histórias Indígenas, organizado pelo MASP.

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