Nas estrelas, sonhamos

Comecei o ano (e o blog) lendo A longa viagem a um pequeno planeta hostil, de Becky Chambers. Pessoa lenta e ocupada que sou, só terminei de ler o livro esses dias e só voltei a atualizar o blog agora. Pois é.

Pra unir o melhor de dois mundos, aproveitei que estava lendo o livro para fazer uma resenha da tradução para uma disciplina. Assim acabei também duplicando o trabalho, já que alternei a leitura com o livro em inglês, mas fui feliz.

IMG_20190620_230546991A longa viagem… é o livro de estreia de Becky Chambers, escritora estadunidense de ficção científica que conseguiu se autopublicar em 2014 com uma campanha no Kickstarters. Depois disso, The long way to a small, angry planet foi republicado pela editora Hodder & Stoughton. O livro faz parte da série Wayfarers, composta por três livros com finais fechados que podem ser lidos independentemente. No Brasil, A longa viagem… foi traduzido por Flora Pinheiro e publicado pela DarkSide Books em 2017.

Resumindo bem resumidinho, a história começa quando Rosemary Harper, uma humana, consegue o emprego de guarda-livros na nave perfuradora de túneis Andarilha. O título não é por acaso: essa uma história sobre uma longa, longa viagem. Não que o seu destino final não seja importante, mas ele depende de tudo o que acontece desde o início. A longa viagem… é uma história sobre comunicação, convivência, culturas diferentes, o tipo de narrativa que é um alívio em um gênero que às vezes pode ser tão árido.

Nesse post para o blog da Intrínseca, a tradutora Flora Pinheiro comenta alguns aspectos da edição de livros de fantasia, como a atenção com os detalhes que devem ser consistentes ao longo da série. A escritora Fonda Lee, nessa thread do Twitter (em inglês), também chegou a um questionamento interessante: como usar termos já consagrados – que usamos até sem perceber – em um mundo secundário em que esses termos nem deveriam existir?

De qualquer forma, minha regra pessoal nesse tipo de situação é: invente o mínimo possível de palavras e nunca deixe o leitor parar para pensar ou questionar sua escolha de palavras. Então, sim, eu vou usar “envelope manila” e “champagne”, mas não “xerox” ou “tupperware”.

Becky Chambers amarra muito bem todos os aspectos da história, inclusive esse: ela não precisa parar a narrativa de tempos em tempos para explicar todos os detalhes do universo que inventou, porque, na maioria das vezes, o contexto é o suficiente para deduzir do que se tratam.

Bastante já foi dito sobre esse livro internet afora de 2015 pra cá, e já passei algumas semanas escrevendo mais detalhadamente sobre ele, então não vou me alongar muito mais, mas enquanto pesquisava vi que inúmeras outras resenhas chegaram a mesma conclusão: A longa viagem a um pequeno planeta hostil é um livro incrivelmente… humano. Chega a ser irônico, em um universo tão vasto e diverso, o quanto a humanidade não consegue escapar de si mesma.

51LC0oOpuZL

Parágrafos sombrios à parte, planejo ler o segundo volume dessa trilogia mês que vem. Bem, pelo menos começar, se formos sinceros com o meu ritmo de leitura. A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada (A Close and Common Orbit, 2016), também traduzido por Flora Pinheiro, continua a história de personagens que fizeram parte do primeiro livro, mas pode ser lido independentemente. O terceiro livro da série, Record of a Spaceborn Few, ainda não saiu em português. O lançamento mais recente de Becky Chambers, To be taught, if fortunate, também já está em pré-venda. Espero que todos cheguem aqui em breve, com a edição cuidadosa que a Darkside tem dedicado à autora.

Becky Chambers também pode ser encontrada no seu site, Other Scribbles.